
À primeira vista, o número impressiona. Em 2025, Neymar aparece entre os maiores depositantes residentes de marcas do Brasil, com 278 pedidos protocolados perante o INPI, ocupando a segunda colocação nacional, atrás apenas da Payno Gestão Empresarial e Participações, que registrou 305 depósitos.
Sob a perspectiva jurídica, o dado revela algo ainda mais relevante: a consolidação da marca como ativo estratégico de negócios. O registro marcário deixou de ser mera formalidade administrativa para assumir papel central na proteção patrimonial, na expansão comercial, na estruturação de licenciamentos e na valorização econômica das empresas.
O caso demonstra que a propriedade intelectual não está restrita às grandes corporações tradicionais. Atualmente, nome, imagem, identidade visual, expressões distintivas e reputação tornaram-se ativos essenciais, especialmente em modelos de negócio baseados em influência, autoridade e reconhecimento público.
O levantamento do INPI também evidencia outro fenômeno importante: no campo das patentes de invenção, universidades públicas permanecem entre os principais depositantes do país. Instituições como UFMG, UFCG, Unicamp e USP figuram entre os líderes nacionais, refletindo a forte participação do ambiente acadêmico na geração de inovação protegida.
O cenário revela duas dinâmicas complementares da propriedade intelectual brasileira: enquanto as marcas assumem protagonismo crescente como instrumento de exploração econômica da reputação e diferenciação de mercado, a proteção tecnológica por meio de patentes continua concentrada, em grande medida, em universidades e centros de pesquisa.
Portanto, a propriedade intelectual revela onde o mercado gera valor e onde o conhecimento produz inovação. Marcas fortalecem reputações. Patentes protegem tecnologias. Ambas transformam ativos intangíveis em vantagem competitiva.

